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terça-feira, 28 de maio de 2013

A Mãe

No sertão nordestino o sol descambava enorme e vermelho no horizonte e uma viúva cansada retomava o rumo do seu casebre onde quatro filhos, entre três e onze anos, a esperavam famintos para a primeira e verdadeira refeição do dia. Pela manhã tinham tomado um "xibé" – mistura fraca de farinha de mandioca, rapadura ralada e água – e para jantar ela só conseguira um preá pequeno para misturar com farinha, sal e um pouco de óleo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Soldado Bira

No começo da madrugada de 27 de novembro de 1935, o cabo Ubirajara do Segundo Batalhão de Caçadores encontrava-se de arma na mão, espreitando pela janela que dava para a rua, no quarto do casal de uma residência rica no bairro da Urca, cidade do Rio de Janeiro. Ele não sabia quem eram os donos da casa. Afinal os proprietários, acordados repentinamente no meio do sono pelos tiros, gritos e barulho de vidraças quebradas, fugiram em pânico para salvar a vida, assim como os vizinhos daquele tranquilo bairro burguês. Enquanto eles saíam abandonando casa, documentos e até joias que ficaram espalhadas por cima dos móveis, às vezes cruzando-se quando desciam as escadas com os soldados que subiam para ocupar as posições de combate nos seus próprios aposentos.

sábado, 18 de maio de 2013

O Batismo de Kenzo Mori


No mês passado, após regressar de uma viagem a Mato Grosso, fui surpreendido por um convite para ir ao batismo do meu sobrinho Kenzo Mori, um inteligente e vivaz "japonesinho" com três anos de idade. Confesso que relutei. Afinal os pais do garoto não têm vivência de igreja e eu temia ir a um tipo de "teatro religioso", como eu já vi tantos, principalmente em solenidades de casamento. Além disso, tinha mais um motivo para vacilar: "não gosto de viagens de avião", ou dizendo melhor, "gosto mas tenho medo de viagem aérea".

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Pássaro Dourado


Dona Joana, jovem esposa do juiz de direito de Juazeiro do Norte, acompanhou o marido a uma visita ao Pe. Cícero. Lá chegando, foram recebidos pela Beata Mocinha, uma piedosa solteirona que administrava a casa de morada do "Patriarca dos Sertões". Sentaram-se na sala de visitas, um ambiente simples com cadeiras de madeira escura e palhinha trançada e esperaram a chegada do dono da casa.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Nome Proibido


O navio subia lentamente as águas amarelas do rio Amazonas com destino a Manaus. Os passageiros já enfastiados de olhar a paisagem monótona da mata e o reflexo do sol na água encontravam diversão em observar as brincadeiras do Carlinhos, o incansável filho de Dona Graziela. Vestido com roupa de marinheiro, sapato de couro e boné, conforme a moda infantil da época,  e montado em um velocípedes vermelho o menino não parava de circular no relativamente pequeno espaço do convés. Ele era dotado também de muita simpatia e vivacidade. Moreninho e com um sorriso fácil, que lhe abria sempre duas covinhas nas bochechas, conquistava a amizade de todos.