Pessoas há que cruzam conosco na vida e nos deixam uma impressão que não se apaga. Para mim, uma delas foi o Padre Schumacher. Quando o conheci ele já era maduro, um alemão forte e alto com um vozeirão de barítono e uma presença impactante. Gostava de cantar velhas canções em russo, daquelas dolentes que mexem com as cordas do coração. Trabalhava em Salete, uma pequena cidade do sul do Brasil, habitada principalmente por filhos de imigrantes alemães, italianos e polacos.
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segunda-feira, 29 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
A Filha Perdida

No barco que lentamente subia as águas barrentas do rio Purus, deitado em uma rede armada no convés, o Dr. Emílio Sucupira lia “O Alto Purus”, jornal datado de 15 de novembro de 1912, onde estava estampada a notícia do ataque dos índios cunibas à sede do seringal Icaraí, às margens do rio Jutaí, Amazonas, e que resultou na morte do Coronel Cornélio de Chaves e Mello e de sua esposa, além do rapto de cinco meninas, entre cinco e catorze anos, filhas do casal.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
A Noiva
Do oitão da casa grande da fazenda acompanhávamos com interesse a passagem dos Mocororó, família numerosa com pele muito alva e sardenta, cabelos avermelhados, orelhas cabanas, postura tímida, diria mesmo quase amedrontada e uma semelhança física acentuada entre os membros do grupo, herança de sucessivos casamentos consanguíneos. Quando passavam ao lado do sobrado, os homens levantavam a aba do chapéu e cumprimentavam em uníssono a senhora dona da casa: "A bênção dona Selvina". Aos quais a fazendeira suavemente respondia: "Deus te abençoe" ou "Deus te cubra de fortuna e felicidade". As mulheres vestidas à moda antiga, com saias longas feitas do mesmo tecido estampado, e cabelo preso em coque, paravam um pouco para um dedo de prosa ou para tomar um copo d'água fresca de um pote colocado no alpendre do casarão, destinado a saciar os viajantes. Acompanhando a família vinha uma tropa de jumentos carregada com crianças pequenas, mantimento, galinhas, redes de dormir, sacos de feijão e milho para vender na feira, e finalmente os cães de guarda, companheiros inseparáveis do povo da roça.
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