Acordei antes das cinco horas, estava escuro, saí para regar a horta e satisfeito acompanhei o crescimento do coentro, cebolinha, rúcula e manjericão. Preocupei-me com a salsinha que semeamos e ainda não deu sinal de vida! Depois de molhar o depósito da compostagem preparei-me para tirar o carro da garagem e ir apanhar a dona Dilma, cuidadora da minha mãe, que não consegue andar sozinha de ônibus até Fortaleza, distante quarenta quilômetros daqui da Tapera. O trânsito estava surpreendentemente bom e chegamos rapidamente à cidade.
Após
visitar a minha velhinha querida, com noventa e quatro anos, retornei
passando antes pelo super-mercado, onde fiz algumas compras. Mas não
encontrei o marreco que sempre compro nessa época do ano,
consolei-me adquirindo duas boas garrafas de vinho português, uma de vinho do
Dão e um "Quinta da Bacalhoa", para o almoço do meu aniversário que está marcado num
restaurante à beira-mar, propriedade do Luca, jovem italiano que
casou com a Isabel, filha de um pescador aqui do nosso litoral, e que
montou a "Trattoria La Vivenda", onde servem uma bela pasta
com frutos do mar.
Ainda deu
para passar na casa da prima Telma, que fabrica lindos brindes de
Natal, comprei alguns para presentear a uma festa da Casa de Melhor
Idade. Tomei um cafezinho e batemos um papo ligeiro sobre as
novidades da família, algumas delas preocupantes como o estado de
saúde do primo Luciano. À tarde
recebi setenta metros quadrados de grama para colocar no jardim da
frente da Quinta do Pomar, reguei as palmeiras carnaúbas e dei uma
série de telefonemas acertando detalhes de providências da casa.
No dia
seguinte meus irmãos, eu e a maioria dos sobrinhos, fomos almoçar
lá na Praia do Presídio à beira da piscina, em frente ao mar. Foi
tudo perfeito! O Luca fechou a casa para nós, catorze adultos e duas
crianças. Tivemos uma bela tarde com "spaghetti", camarão,
bom vinho e curtindo a companhia da irmandade. Disse-lhes que "estava
feliz por ter aquela família, que com certeza não era a mais
perfeita do mundo, mas era a que Deus me tinha dado". Afinal
vivemos de muitos encontros e alguns desencontros. Senti falta da
Grazielinha, comemorando aniversário no mesmo dia em Brasília, e
também dos seus bons rapazes, os jovens Kronenberger. Gostaria que
os meninos da Ana Izabel também estivessem conosco, principalmente o neto,
aquele japonesinho fabuloso, "o Kenzo". Também a Juliana que está nos Estados Unidos e que em todas as festas trabalha muito e contribui com sua nota de alegria. Não foi possível!
Senti falta do Breno, morando lá na outra ponta do Brasil, em Rio Branco, da
Cristina e do Vittorio. Mas cada um teve seus motivos para não poder
vir! Deus os abençoe a todos!
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