Um dos
sonhos da minha vida e que terminei por realizar foi conhecer Israel,
a terra santa – a pátria de Jesus e dos profetas. Queria conhecer
o Mar da Galiléia e o Monte Carmelo, mas acima de tudo queria
conhecer Jerusalém, a cidade sagrada. Foi nessa intenção que me
integrei numa peregrinação organizada por um grupo de cristãos
portugueses, sob a direção do Pe. Agostinho Brígido, que eu já
conhecia desde os tempos em que morei em Braga. Levei comigo minha
irmã, Izabel, meu cunhado Humberto e minha sobrinha Andrea e a sua
companhia tornou a viagem ainda mais prazerosa.
Após uma breve e feliz estadia em Lisboa, voamos para Tel-Aviv. A viagem, via Bruxelas, foi um tanto cansativa, particularmente porque uma senhora do nosso grupo passou mal no avião e teve uma parada cardíaca. Para felicidade dela e de todos foi prontamente atendida por um médico da marinha portuguesa que também integrava a peregrinação, o coronel e médico Dr. José Manuel. Ele ficou bastante tempo debruçado sobre a paciente, desmaiada no passadiço, fazendo-lhe massagens e por fim conseguiu reverter a situação, apesar da turbulência aérea que atravessávamos.
Após uma breve e feliz estadia em Lisboa, voamos para Tel-Aviv. A viagem, via Bruxelas, foi um tanto cansativa, particularmente porque uma senhora do nosso grupo passou mal no avião e teve uma parada cardíaca. Para felicidade dela e de todos foi prontamente atendida por um médico da marinha portuguesa que também integrava a peregrinação, o coronel e médico Dr. José Manuel. Ele ficou bastante tempo debruçado sobre a paciente, desmaiada no passadiço, fazendo-lhe massagens e por fim conseguiu reverter a situação, apesar da turbulência aérea que atravessávamos.
Já no
aeroporto de chegada firmou-se em mim uma primeira impressão que
durante a estadia em Israel veio a confirmar-se: a de que os
israelitas são um povo que leva a vida extremamente a sério.
Olhando-os não vi nada daquela leveza alegre e às vezes um pouquinho brincalhona do povo brasileiro. Os israelenses pareceram-me
diretos, com uma límpida franqueza frontal, sem aquela cortesia de quem
quer e procura agradar a qualquer custo e que não se preocupa muito com a dura verdade. Uma
outra impressão foi a grande quantidade de casais muito jovens transportando carrinhos de bebê e cuidando juntos de suas crianças, sabem como é: "aquela
escadinha, um, dois, três e até quatro ... Depois de Lisboa onde se
veem muito mais idosos do que meninos e até no Brasil, onde o povo
pequenino já se torna escasso, aquela fartura de criança mexeu interiormente comigo. Achei tão
bonito! Penso que, apesar de viverem em uma região onde a guerra é
sempre uma realidade ou uma ameaça, aquele povo está apostando na
vida.
A própria
construção do saguão era toda em pedra, nada daquela transparência
em vidro tão comum em outros aeroportos. Considerei que era uma medida
que visava evitar o risco potencializador do vidro durante possíveis
atentados terroristas. Outra
coisa que observei foi a quantidade de homens jovens com o cabelo
raspado e as mulheres vestidas de um modo muito simples, quase sem
jóias ou pinturas, num estilo meio mochileiro, a vaidade e a preocupação com roupas de marca ali não é uma prioridade.Outra presença marcante, logo à chegada, foi a
presença dos judeus ortodoxos: todos com chapéus e ternos pretos e
camisas brancas e uma espécie de cacho de cabelos enrolado ao lado
da cabeça. Enfim gente de um outro mundo!
Saímos
do aeroporto e a caminho de Cesaréia, atravessamos a capital
econômica de Israel e a maior cidade do país, Tel-Aviv. Surpreendeu-me ver uma
cidade dinâmica com construções modernas, principalmente do estilo
"art deco", ruas arborizadas e como toda cidade marítima
um certo ar de descontração, lembrando um pouco alguns bairros
tradicionais da classe média alta do Rio de Janeiro.
Finalmente
chegamos às ruínas de Cesaréia, a capital do poder romano na
Palestina, situada numa planície árida à beira do mar, deu-me a
impressão de uma página virada, de esterilidade e de algo que
apesar de fazer parte da história do país não integra os lugares
mais significativos ao povo daquela terra. Com certeza é algo valorizado principalmente pelo valor turístico. Aquelas ruínas poderiam
estar em qualquer país da orla mediterrânica ou até de Portugal!
Depois de
admirar a beleza de Haifa e de sua baía rumamos para Nazaré. Foi
meu primeiro contacto com a população árabe de Israel. Vivem em boas casas, embora falte ao conjunto arquitetônico da cidade
uma certa harmonia, numa mistura de arcos e linhas retas, em um estilo um pouco carregado e ostentoso! Ao meu gosto, a própria basílica da Anunciação
é um exemplo de uma arquitetura moderna e feia, ressalve-se o
trabalho dos artistas que fizeram em mosaico as diversas
representações da Virgem Maria de numerosos países do mundo, da
China ao Brasil, passando pela Polônia.
Numa
visita a Caná da Galiléia conheci as maiores e mais bonitas romãs
que já vi na vida e digo mais: "meus amigos, essas frutas são
cortadas ao meio e colocadas num processador que produz um suco
vermelho de gosto muito especial", e fiquei pensando porque nunca alguém teve a idéia de comercializar o suco "in natura" da romã no meu país?! Com certeza esse suco é melhor do que o vinho açucarado vendido aos turistas na aldeia, aliás o vinho
produzido em Caná, ao que se deduz pela leitura do Evangelho, já
era fraco nos tempos de Jesus! Muito significativa foi a renovação dos votos matrimoniais do Humberto e Izabel na capela subterrânea situada no local da festa e do milagre de Caná.
Saímos
de lá e fomos à região de maior beleza, visitamos locais muito especiais como
o Monte das Bem-Aventuranças, Monte Tabor – local da
transfiguração -, as ruínas da sinagoga de Cafarnaum, frequentada por Jesus, conhecemos a casa da sogra de São Pedro e Tabgha, onde o apóstolo recebeu o primado. Também
demos um passeio de barco pelo Kinereth (Mar da Galiléia) e almoçamos em um restaurante sobre o lago. O cardápio era o peixe de São Pedro (tilápia) e purê de grão de bico. Houve refeições melhores na viagem!
Depois saímos acompanhando o Vale do Jordão para o sul, vendo as plantações irrigadas de bananeiras e tâmaras. Paramos à margem do rio, sob a vigilância constante de um jovem soldado israelense, afinal ali é uma fronteira internacional. Sentamos à margem do Jordão, apenas uns míseros dez metros de largura, e pusemos os pés na água fria. Deu para refletir um pouco sobre o batismo de Jesus e a figura misteriosa que foi João Batista. O lugar chama-se Kasr Al-Yahoud, Castelo do Judeu, como é denominado pelos árabes, é um dos possíveis locais do batismo de Cristo.
Depois saímos acompanhando o Vale do Jordão para o sul, vendo as plantações irrigadas de bananeiras e tâmaras. Paramos à margem do rio, sob a vigilância constante de um jovem soldado israelense, afinal ali é uma fronteira internacional. Sentamos à margem do Jordão, apenas uns míseros dez metros de largura, e pusemos os pés na água fria. Deu para refletir um pouco sobre o batismo de Jesus e a figura misteriosa que foi João Batista. O lugar chama-se Kasr Al-Yahoud, Castelo do Judeu, como é denominado pelos árabes, é um dos possíveis locais do batismo de Cristo.
Continuamos
a viagem no confortável ônibus e chegamos a Jericó, sob administração da Autoridade Palestina. Voltamos ao
terceiro mundo, vendo casas grandes de árabes abastados e casebres em ruas sem
calçamento e com a presença de lixo espalhado. Passamos pela grande árvore que
nos disseram ser o sicômoro, onde o baixinho Zaqueu subiu para ver Jesus.
Essa árvore deve ser um fenômeno de longevidade! Contudo o
importante é que serve para marcar o local e para refletirmos sobre
a passagem evangélica.
Fomos a
um lugar onde se avistava o Monte das Tentações e seguimos para
Qumran, onde há uma grande loja que vende produtos cosméticos e
medicinais fabricados com os minerais do Mar Morto. Depois tivemos a
experiência inusitada, e para mim desagradável, do banho nas águas extremamente salgadas desse lago . Uma gota de água que caia nos teus olhos ou entre em contacto com algum ferimento ou assadura causa uma dor deveras aguda. O local estava cheio de
turistas russos, nunca vi tantos! Muito alvos e robustos, sob o sol forte,
cobriam-se de lama e cambaleavam lutando para não cair na argila
extremamente escorregadia e perigosamente entremeada de pedrinhas pontudas. Foi uma experiência estranha e que não
me deu vontade de repetir!
Deixando
o calor do deserto da Judéia, subimos a Jerusalém. Chegamos à
noite e fomos para o Monte Scopus, onde se situa a Universidade
Hebraica, avistando a cidade com suas luzes e cúpulas iluminadas de
igrejas e mesquitas, senti uma emoção diferente e pela primeira vez vi
que realmente valeu a pena estar ali!
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