Missa de Páscoa na Sé Catedral do Huambo, 1988, Angola, igreja cheia, participação plena do povo nos cantos no acompanhamento rítmico e no bater de palmas. Quem nunca viu uma missa em África não sabe como é grande a diferença entre uma celebração litúrgica no Brasil, na Europa e nas terras africanas. Nunca esqueci a alegria das celebrações angolanas. O povo e sua cultura fazem toda a distinção!
A igreja ressoava sob os belos cantos na suave língua umbundo. Não havia lugar para mais ninguém e olhe que os angolanos reclamavam se uma missa fosse rápida e durasse menos de noventa minutos. De repente como uma corrente elétrica que percorresse a assembléia, um zumzumzum de pessoa a pessoa, uma informação boca-a-boca parte da porta principal e toma conta de todo o templo. Ouve-se repetidamente a palavra "bomba".
Apesar do apelo à calma por parte dos celebrantes, as pessoas levantam-se e procuram sair por uma porta lateral, evitando a grande porta do início da nave central, onde aparentemente surgira o boato. Também me levanto e procuro a saída aonde todos se dirigiam, com muita dificuldade já que bancos haviam sido virados na busca desesperada das pessoas em fugir a uma possível e iminente explosão.
As pessoas estavam sendo prensadas contra a porta lateral e eu temi ficar preso ali. Procurei desviar-me do fluxo principal e dirigi-me à parede que ficava ao lado da porta, buscando refúgio perto de um grande confessionário de madeira. Parei naquele recanto onde me achei seguro e resolvi esperar que as pessoas saíssem do templo, antes de arriscar-me a sair.
Quando amenizou um pouco o fluxo de gente dirigi-me para a porta e saí. Voltei-me então e vi vários homens, que alguém me disse pertencerem à Segurança do Estado. Estavam isolando uma área perto da porta de saída, do lado de fora, justamente atrás do confessionário onde eu ficara abrigado. Trabalhavam muito atentos para desativar o explosivo descoberto.
Vim a saber posteriormente que a bomba estava justamente naquele local, dentro de uma aparentemente esquecida e inocente sacola, que se tivesse explodido teria apanhado muita gente e a mim certamente pois estava a menos de um metro da mochila armadilhada.
Voltei para casa agradecendo a Deus e refletindo sobre o perigo que residia em trabalhar e morar naquela cidade, que entretanto já representava tanto para mim.
Quando amenizou um pouco o fluxo de gente dirigi-me para a porta e saí. Voltei-me então e vi vários homens, que alguém me disse pertencerem à Segurança do Estado. Estavam isolando uma área perto da porta de saída, do lado de fora, justamente atrás do confessionário onde eu ficara abrigado. Trabalhavam muito atentos para desativar o explosivo descoberto.
Vim a saber posteriormente que a bomba estava justamente naquele local, dentro de uma aparentemente esquecida e inocente sacola, que se tivesse explodido teria apanhado muita gente e a mim certamente pois estava a menos de um metro da mochila armadilhada.
Voltei para casa agradecendo a Deus e refletindo sobre o perigo que residia em trabalhar e morar naquela cidade, que entretanto já representava tanto para mim.
Valeu, mais uma vez, meu caro Pedro
ResponderExcluirAgradeço o incentivo.
ExcluirPedro Maiunga, que foi meu aluno e hoje é engenheiro da Chevron nas plataformas marítimas de Angola, escreveu-me dizendo que esteve também naquela missa de Páscoa, em 1988, na Sé Catedral do Huambo. Disse que gostou de ler aquela matéria.
ExcluirParabéns! Descubro um talentoso escritor! Salvo para nos brindar com essa e muitas outras horripilantes e deliciosas estórias! Sucesso!!Tua amiga gaúcha, Valéria
ResponderExcluirMenos, Valéria, menos! Mas está sendo gostoso escrever essas estórias e procurar lembrar os detalhes.
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