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quarta-feira, 22 de maio de 2024

A Menina do Sertão

Ontem a nossa família que reside em Fortaleza foi reunir-se no apartamento de minha mãe, no bairro do Meireles, para homenagear a matriarca que completou noventa e sete anos de idade. Em torno da mesa estavam filhos, netos e bisnetos. Faltava ela, pois acamada já não podia participar de maneira ativa desse tipo de encontro.
Vivi momentos  de sentimentos cruzados, em primeiros lugar a satisfação por ter ainda viva a nossa mãe, esteio de uma família, mas saudade do tempo em que podia ouvir a sua voz lúcida e clarividente e receber os seus conselhos sábios. Ah! mamãe! Fizemos uma viagem mental a 1920, para uma grande casa de fazenda no alto sertão cearense - a Fazenda Traviata. Ali, numa antiga família de origem luso-holandesa com 22 irmãos nasceu Ana, que recebeu o codinome de Lola e assim por todos ficou conhecida.
Hoje, nossa mãe deixou-nos definitivamente e partiu para a vida eterna. Nesse momento de ausência e dor a nossa satisfação é que ela faleceu em sua casa, cercada de carinho, de cuidados e orações. Sempre achei horrível a morte moderna nas unidades de terapia intensiva, em que a pessoa no momento mais crítico de sua vida fica isolada de todos os que a amam, cheia de tubos, muitas vezes sem poder expressar suas últimas palavras e cuidada por pessoas estranhas. 
Mamãe muito obrigado por tudo. Saudades!

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